Começo pedindo desculpas. Estou muito relapso com esta página. Deveria estar publicando mais coisas por aqui. Vou tentar manter uma frequência maior de posts a partir de agora. Preciso fazer isso. O tráfego na página aumentou consideravelmente depois do lançamento do meu livro, preciso aproveitar isso, manter o momentum. Ah sim, isso mesmo, lancei um livro e é sobre ele que quero contar! 🙂
Essa história começou quase um ano atrás, ainda em 2024. Eu estava “passeando” pelo YouTube quando o algoritmo me sugeriu um vídeo de um canal que eu não conhecia. A thumb do vídeo era extremamente interessante: uma linda ilustração com dois personagens e um processador, e o chamativo título “como dois amadores criaram o processador mais popular do mundo”. Não tinha como deixar passar. Mordi a isca, e que bom que o fiz! Well played LowSpecGamer, well played!
Ao assistir esse vídeo fui sugado de maneira avassaladora para o interior de um rabbit hole, do qual não consegui sair durante meses. O vídeo do LowSpecGamer tinha uma segunda parte, ainda melhor que a primeira. Aquela história era simplesmente boa demais e eu queria me aprofundar cada vez mais em todos os seus detalhes. Coloquei o Google pra trabalhar na busca detalhada da história da arquitetura de processadores ARM, da empresa que os comercializa (Arm), e principalmente, da pessoas por trás de tudo isso. Descobri um filme de 2009 produzido pela BBC, chamado Micro Men e que está disponível na íntegra no YouTube.
Li dezenas e dezenas de posts no Substack, blogs e sites de tecnologia, contando essa história. Naveguei horas pelo Internet Archive pesquisando revistas da época, com notícias e publicidade sobre esses processadores e as máquinas que os utilizavam. Encontrei vasta informação sobre esse riquíssimo período na história da tecnologia, porém sempre em inglês. Pouquíssima coisa, e em geral bem rasa e superficial, em língua portuguesa. Achei que estava na hora de contar melhor essa história, agora para a comunidade lusófona.
Minha aventura pela toca de coelho da história da ARM deu origem a 3 artigos no MacMagazine. A recepção foi bastante positiva, e o Marcus Mendes (que na época escrevia pro MacMagazine e agora escreve no 9to5Mac) plantou a sementinha em uma mensagem no slack do time: “você deveria transformar esses textos em um ebook”. Isso foi ainda no começo desse ano, assim que a parte 3 saiu no MacMagazine em fevereiro. Porém, foi também no comecinho de fevereiro que eu mudei aqui para os EUA, uma mudança de vida complexa que acabou atrasando o projeto do livro. Mas ele saiu, na primeira semana de agosto.
O livro não é apenas uma junção dos textos do MacMagazine. É muito mais do que isso. Os textos foram revisados e atualizados. Foram unidos em uma sequência lógica e fluida para a leitura. Mais detalhes foram incluídos na história e novos capítulos foram adicionados. Além disso está devidamente formatado como ebook para leitura no Apple Books e no Amazon Kindle e para se ajustar à tela do dispositivo utilizado. O prefácio foi escrito pelo Marcus Mendes, e a capa foi criada pelo meu querido amigo Adriano Arruguetti.

A capa é algo especial. Eu estava tomando café da manhã com minha esposa e comentei com ela uma “ideia” que havia tido para a capa do livro. Queria fazer um trocadilho de “Arm” com um “braço” e uma mão segurando um processador. Mostrei pra ela uma montagem “tosca” que eu havia feito, copiando e colando fotos disponíveis na internet. Ela riu, quase cuspiu o café, e me olhando sério falou “não vais fazer isso né?”. Minha resposta foi simples “não entendes nada, vou consultar um especialista”. Isso me levou ao Adriano, publicitário e designer, fundador da agencia Orbe, e um amigo. Mostrei pra ele a mesma “arte” e sua resposta foi “gostei, deixa comigo”. Das várias ideias criadas por ele, nós dois concordamos imediatamente que essa aí de cima era a melhor delas. No final do livro há um texto do próprio Adriano explicando a inspiração estética por trás dessa arte, que ficou conhecida por Mad Men mas que se remete à década de 1960 e aos filmes de Hitchcock. O trocadilho de arm com braço está ali, o processador está ali, e o mais importante, estão ali duas silhuetas em alusão aos dois principais personagens da história. Ela é simples, genial e absolutamente linda! Eu fiquei emocionado quando vi essa capa pela primeira vez. É o trabalho de um humano, um artista, criado especialmente para mim (e para quem ler o livro) através de seu processo criativo.
Vale ressaltar também a parceria com o MacMagazine para a produção do livro. Toda a equipe foi extremamente receptiva à ideia, o Edu Marques fez a correção do texto, e até participei de um episódio do MacMagazine no Ar para falar do livro!
O livro passou duas semanas como o mais vendido na categoria “Computadores e Internet” do Apple Books. Nesse momento, 3 semanas depois do lançamento, está em 4º lugar. Na Amazon foi Top 50 nos primeiros 10 dias, o que é algo relevante tendo-se em conta a quantidade gigantesca de livros disponíveis (muito mais que o Apple Books).
Se você é ligado em tecnologia e gosta da história por trás dos gadgets que usa no seu dia-a-dia, vai adorar a história que conto no livro. O livro está à venda por um preço simbólico. Em um mundo infestado por livros “escritos” por IAs, acho importante que um trabalho intelectual e artístico criado por seres humanos para seres humanos seja reconhecido. Mesmo que apenas simbolicamente.
Você pode encontrar o livro na Amazon e no Apple Books. Se gostar (e quiser), avalie o livro e deixe um comentário lá nas plataformas. Ajuda muito na divulgação. Agora é pensar no próximo. Quem sabe a história de algum dos computadores brasileiros do início dos anos 80?